ENTREVISTA - Profissão do dia: Bibliotecária

12.3.09 Talita Cavalcante 5 Comentários

Hoje, 12 de março, é o dia do profissional bibliotecário. E para conhecermos um pouco mais sobre essa interessante profissão, convidei uma senhora de muitas iniciativas para ser minha entrevistada do dia. Ela adora ler e adora trabalhos munuais e tem um blog, o Livro & Arte, onde deixa tudo registrado.



Parabéns aos bibliotecários... Parabéns pelo seu dia, Almira!




Almira Almeida é bibliotecária. Formada pela Universidade de Brasília em 1981, ela tem 55 anos e trabalha como bibliotecária dos Correios, em Brasília.



1 - Oi Almira! Sei que tem paixão por sua profissão. Qual é o campo de atuação de um bibliotecário?

 O bibliotecário atua processando e tratando informações, nas suas diversas formas e mídias (material de registro). O seu campo de trabalho é ampliado permanentemente, á medida em que as tecnologias da comunicação e da informação evoluem, concentrando espaço e ampliando capacidade de registro, organização e transmissão de informações. 

Ele atua em Centros de Informação e Documentação, Institutos de Pesquisas, Bibliotecas, Videotecas, Centros Culturais, Bancos, Museus, Empresas Provedoras de Informações e de educação à distância, dentre outros. Dessa forma, o mercado de trabalho do bibliotecário, abrange a área pública, privada e ainda o profissional autônomo. Onde houver atividades em que se necessita de tratamento ou processamento de informação, neste local necessita-se das habilidades, conhecimento e técnicas do bibliotecário.

Percebemos que no momento algumas áreas estão apresentando melhores perspectiva de crescimento, como as áreas de gestão do conhecimento e da gestão de serviços de informação, principalmente nos grandes centros. Isso se constitui num grande desafio para o bibliotecário e ao mesmo tempo numa oportunidade de crescimento uma vez que exigem desse profissional o domínio de ferramentas de informática, uma fluência em línguas estrangeiras e um aprofundamento na história de sua instituição.


2 - Trabalhando como bibliotecária você já deve ter presenciado diversas transformações em pessoas através da educação. Como você define a importância de uma boa biblioteca em escolas, faculdades ou outros centros de estudo?


Pra mim, uma biblioteca, por abrigar informações e registros de conhecimentos, pode ser o catalisador de mudanças para as realidades social, econômica e cultural de uma comunidade. Seu acervo e seus eventos podem intervir positivamente na construção de uma nova referência material e uma nova consciência social para todos. A informação transforma as pessoas. Uma antiga verdade é que o livro não muda o mundo; ele muda o homem; o homem, sim, muda o mundo.

Se quisermos transformar o mundo, temos que primeiro transformar o homem e a biblioteca pode contribuir para essa atitude transformadora do ser humano por meio da leitura. 


3 - Como é o seu dia a dia?

O atendimento ao usuário da biblioteca é predominantemente minha atividade principal; eles buscam auxílio e orientação para o melhor desenvolvimento de suas atividades.  E me dedico também á outras  atividades como o tratamento técnico de material bibliográfico.



4 - Neste dia 12 de março em que se comemora o profissional bibliotecário, o orgulho pela profissão aumenta? Você acha que o bibliotecário é devidamente reconhecido?

Em minha opinião, o bibliotecário hoje já é visto com outros olhos pelas instituições em que atuam e pela própria sociedade, mas percebo também queixas da falta de valorização, da falta de ser visto e ouvido. Pra mim o reconhecimento ocorre no grau em que o profissional mostra-se à sociedade e participa da vida social. Hoje há um respeito crescente em toda sociedade por nosso trabalho. Não somos mais os sisudos guarda-livros; já somos os ecléticos e atuais profissionais da informação.



5 - Quando me formei, senti uma falta danada da biblioteca da minha faculdade. Passava grandes períodos por lá e acompanhava o trabalho do bibliotecário. Lembro-me de ele reclamar bastante sobre alguns alunos devolverem livros com páginas rabiscadas, entre outras coisas que, aos poucos, vão danificando mais rápido os livros. Quais são os cuidados que qualquer um deveria ter ao retirar um livro de uma biblioteca?


Talita, esse problema de perdas e danos é freqüentemente encontrado na maioria das Bibliotecas. Para minimizar esses problemas, as bibliotecas criam orientações normativas com o intuito de esclarecer aos seus usuários de como usar e manusear um livro e assim preservar sua integridade material e a legibilidade de seus registros, aumentando sua vida útil. Dessas orientações constam:

Não manusear livros ou documentos com as mãos sujas;

Não fumar e realizar refeições próximas aos livros;

Não usar fitas adesivas, colas plásticas, grampos e clipes metálicos;

Nunca usar carimbos sobre ilustrações e/ou textos. Jamais usar caneta tinteira ou esferográfica nas anotações.

Não dobrar o papel formando orelhas, pois ocasiona o rompimento das fibras;

Usar marcadores próprios evitando efetuar marcas e dobras;

Não retirar o livro da estante puxando-o pela borda superior da lombada;

Nunca umedecer os dedos com líquidos para virar as páginas do livro. O ideal é virar pela parte superior da folha;

Não apoiar cotovelos sobre os volumes de grande porte durante a leitura;

Não fazer anotações particulares em papéis avulsos e colocá-los entre as páginas de um livro. Eles deixarão marcas;

Virar as páginas pelo meio, nunca pelas extremidades

Nunca deixar o livro em carro estacionado ao sol.



6 - O que mais gosta na sua profissão?

Gosto dessa oportunidade de estar em contato com o ambiente cultural e as pessoas que vivem e transitam nesse ambiente. A informação transforma as pessoas e esse é um belíssimo milagre para o ser humano: ser melhor a cada dia, conhecer, ver e rever-se a cada nova convicção. Isso me fascina em minha profissão.


7 - Você acha que livros impressos serão sempre valorizados ou já sofrem com a era da internet?

Serão sempre valorizados; as pessoas gostam do contato com os livros. Livros em papel têm seu charme e sua tradição. Seu manuseio e a sensação que o contato com ele produz - texturas e cheiros - é um diferencial considerável e as pessoas gostam desse contato material. Quando surgiu a internet as pessoas falavam que os livros iriam acabar e não acabou. O e-book e as páginas da web são novas opções para acesso e disseminação de informação. A internet trouxe novos costumes, mas não extinguiu os existentes; é uma nova mídia, um novo canal e um novo registro. Não obstante, o livro de papel ainda manterá o seu fascínio para o leitor.


8 - Como você, se define?

Apaixonada pela criatividade, pela persistência, pelo estudo, pela simpatia, pelo dinamismo, pela generosidade e pela afetividade que podemos cultivar e disseminar pelo mundo, que tanto quanto necessidade de informação, também necessita de calor humano.

5 comentários :

  1. Oi Almira!

    Adorei entrevistar voce nesse dia em que se comemora sua profissao. Parabens por seu trabalho e por sua dedicacao. Um abraco,
    Talita.

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  2. Nunca soube que o Correio tinha bibliotecário. Parabéns por seu dia. A entrevista ficou legal

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  3. Que legal encontrar uma entrevista com uma Bibliotecária. Sou bibliotecária em São Paulo e no dia 12 só recebi parabéns de outras amigas bibliotecárias, ninguém lembra de nós!

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  4. Almira,
    amei a entrevista. Vc e' demais.
    Um beijo, Julia
    SP-SP

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  5. Talita, valeu pela homenagem, estendida a todos os profissionais bibliotecários. Aos poucos nossa profissão vem sendo reconhecida através de divulgações como a sua. Valeu!!!

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"As redes de pescar palavras são feitas de palavras." Otávio Paz.