A criança e o pisicológico

by - 7.12.09





Quando criança, eu era uma verdadeira patricinha. Demasiadamente estressada com minha aparência. O que vestir? Que penteado fazer? Que meia usar? Uma coisa assim bem de mini-miss, acredito. Não sei de onde vinha tanto estresse, mas acredito que da minha insegurança, já que era uma garotinha muito tímida que morria de medo de dedo apontado. Tenho lembranças terríveis da época. Coisa como correr da escola até em casa olhando pro chão, achando que todos que por mim passavam percebiam o quanto eu era feia e riam disso. Mas hoje sei que fui uma criança bem bonita, miudinha, delicada.

Ouvi na TV esses dias sobre como muitas dificuldades que enfrentamos na vida adulta podem ter tido início lá na infância. E muito já li a respeito. Hoje, como mãe, me preocupo por demais com essa questão, principalmente porque carrego comigo uma luta incrível contra inseguranças oriundas da minha infância.

Minha preocupação com ser reprovada por todos tem muito a ver com o que ouvia e com comparações que faziam com o meu nome. Eu nunca era boa o suficiente e isso me tornou uma criança perfeccionista que chorava se qualquer coisinha saísse errado. Lembro-me que aos 10 anos, minha tia me fez uma trança enorme antes de eu ir pra escola. Ela se dedicou, levou um tempão e eu não gostei do resultado. Achei feio e fiquei muito nervosa. Esperei que ela saísse para o trabalho e desfiz todo o penteado.

À medida que fui crescendo, fui buscando entender certas razões para atitudes em mim que eu não gostava. E fui aprendendo a evitar situações que me desequilibre.


Ser adulto nos permite o auto conhecimento comparativo... pois temos uma história pra recordar, situações pra comparar, e melhor: a opção de fazer nós mesmos as escolhas. É por isso que me preocupo com carinho e faço com muito cuidado cada escolha que preciso fazer por minha filha. Eu tenho uma filha em parte igual e em parte bem diferente de mim. Eu e meu marido valorizamos isso, pois queremos que ela cresça com todos os bons sentimentos que sustentam um ser humano saudável e feliz - acho que qualquer pai quer isso, né? Mas estou falando aqui em agir, em estar atento às atitudes que são à ela destinados, em estar atento às reações dela, deixá-la agir e corrigir apenas o que tem que ser corrigido, mostrando e não impondo sem explicações. Perguntar, mostrar e explicar é fundamental.

Ah! Hoje sou uma pessoa bem mais feliz que fui quando criança. É ousado dizer isso, mas é uma grande verdade. Pra mim, em um certo ponto da história, me senti livre de certos pesos, livre de certos transtornos, livre pra agir como sempre quis, livre pra fazer as escolhas que hoje me deixam mais contentes. Quero isso pra minha filha, sempre! Quero que ela cresça entendendo que é importante, que suas opiniões nos interessam, que sua companhia é maravilhosa.



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5 comentários

  1. Olá to passando para deixar um oizinho.
    E este post tem tudo a ver amei!
    Hj tb me sinto mais livre para agir como eu sempre quiz ...

    bj

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  2. Olá, Talita
    Muito bacana o seu relato. Muito dos adultos que somos são reflexos das crianças que fomos, se não compreendermos o processo no meio do caminho, como você fez. Há uma linha da psicanálise que se dedica às crianças, para que elas se tornem adultos mais saudáveis e seguros.
    Mas independente disso, o mais importante é tratar da autoestima das crianças.
    Beijos

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  3. Sabe que um pouquinho antes da minha adolescencia eu tinha a auto estima baixa também...ainda bem que passou e pude aproveitar bem a minha adolescencia...a segurança veio quando eu conheci meu marido que na época era meu namorado, inclusive foi quando me vi relamente mulher...bjs

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  4. Oieeee! Ando meio sumida do seu blog, pois estava meio sem tempo. Mas cada vez que retorno é uma surpresa. Em relação a este post não poderia deixar de fazer um comentário. Concordo com muitas coisas que vc disse, uma infância traumática( será que exagerei??) pode trazer alguns transtornos na vida adulta... Mas existe uma coisa que você disse que para mim não deixa de ser um tanto contraditório.Como assim vc era feia quando criança???? Nós nunca tivemos muito contato, mas lembro de você passando em frente a minha casa e pensava assim " Nossa mas que menina linda, e sei que você deveria odiar as comparações com a Sandy,desculpa mas era inevitável ".Mas existia uma coisa em você que me chamava muita atenção.... para falar a verdade tinha até uma certa invejinha( no bom sentido claro) era o seu cabelo. Para mim era o mais lindo de todos rsrsrsrs . Um dos meus sonhos de infância era ter um cabelo igual ao seu Talita, sabe porque??? Por que eu sempre achei tranças no cabelo lindo, e nunca pude ter uma.Minha mãe sempre cortava ele bem curto, para não ter trabalho, já que ele dava muitoooooo trabalho hehehehehe!!! E hoje te conhecendo melhor te acho toda linda, por dentro e por fora.Ah e por favor não pare de escrever nunca!!!!! Um beijo Paulinha

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  5. Oi, gente,

    Amei esses seus recadinhos. Obrigada.

    Ei, Ana Paula!
    Muito obrigada por tantos elogios. Você é uma garota incrível, sabe me surpreender. Mas essa sua adimiração por cabelos lisos é uma coisa inexplicável, já que você tem cabelos ondulados maravilhosos. De qualquer forma, você é linda usando-os de qualquer forma.

    Beijos,
    TAlita.

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"As redes de pescar palavras são feitas de palavras." Otávio Paz.