BATE PAPO de blogueiras: Edição "Morando em outro país"

by - 13.1.10

Mais uma nova seção para o dona perfeitinha estreiando hoje. O BATE PAPO com blogueiras terá muita gente bacana pra conversar comigo. Estou convidando pessoas com quem vou conversar assuntos específicos que serão os mais diversos possíveis e hoje temos Luiza Machado do blog O guia de Paris, direto de Paris batendo papo comigo...





(Talita) Há quanto tempo você está morando em Paris, Lú? 
(Luiza) São dois anos e meio de idas e voltas.



(Talita) E agora vai voltar novamente ao Brasil, né?  
(Luiza) Vou voltar para o Brasil por um problema de saúde na minha família, espero que não seja nada grave. Assim que for solucionado espero voltar para essas terras frias...


(Talita) Seu coração está dividido?
(Luiza) Morar tanto tempo fora do Brasil nos faz sentir muita falta do nosso povo, do jeitinho brasileiro. E olha como isso faz uma falta danada! As vezes é como se fora do Brasil, pudéssemos nos sentir mais brasileiros, uma sensação estranha, diria até nostálgica, mas uma sensação gostosa também.


(Talita) Concordo com você. Fora do Brasil, já nos chamam literalmente de 'a brasileira'. É estranho pensar que acabamos por nos descobrir mais brasileiros morando fora, mas acaba que isso acontece mesmo. Nossos hábitos alimentares, nossas experiências, nossa maneira de encarar a vida, tudo isso lá fora é evidenciado e nos mostra o quanto somos filhos de uma terra que deixamos pra trás.

(Talita) Qual o balanço você faz do tempo que morou aí em Paris? 
(Luiza) Nada é definitivo, estou voltando para o Brasil para passar um tempo, não sei ainda quanto tempo, mas sei que vou voltar para a França em breve. 

(Talita) Há dois anos e meio quando chegou aí, bateu uma insegurança?  
(Luiza) Cheguei tão entusiasmada e eufórica que não tinha insegurança, somente com a questão de dominar a língua. A diferença de rotina foi completa, pois passei a morar numa república de estudantes e antes morava com minha familia.


(Talita) O que mais te impressionou na diferença de rotina que passou a ter por aí? 
(Luiza) Fiquei maravilhada com a nova vida, uma independência nunca antes experimentada e, é claro, com a possibilidade de conhecer pessoas que vinham de tantos lugares do mundo. A minha companheira de quarto, e hoje em dia uma grande amiga, é Tcheca.


(Talita) Na Nova Zelândia conheci gente de vários cantos do mundo também. Na minha escola tinham alunos do Canadá, da Alemanha, da Argentina, da Arábia Saudita, da Malásia e do Japão. O país recebe um número impressionante de intercambistas.

(Talita) Quando somos brasileiros, somos brasileiros apaixonados, mas morar numa cidade como Paris não trás uma certa vontade de que o Brasil tivesse coisas parecidas?  
(Luiza) Sim. 

(Talita) Que coisas de Paris você gostaria que as cidades brasileiras também possuíssem?
(Luiza) Uma vez que moramos em um lugar diferente depois a gente não se sente satisfeito em nenhum outro lugar, quando estou em Paris tenho saudades do jeito alegre dos brasileiros e quando estou no Rio de Janeiro (minha cidade natal) queria que os trasportes funcionassem tão bem quanto em Paris, queria que não houvesse violência e nem tanta pobreza, assim como na França...


(Talita) O transporte realmente é fantástico em países de primeiro mundo. Também o da Nova Zelândia me impressionou e me fazia pensar... "por que os políticos foram tão burros em acabar com as ferrovias no Brasil?". E a resposta nós temos e que no caso tem mais a ver com esperteza por trás da dita 'modernização'... burros somos nós eleitores.

(Talita) Você acha que o tempo de Paris te fez parisiense?
(Luiza) Uma vez Augusto Boal (o maior teatrólogo que tivemos) disse que ninguém nunca volta do exílio. Ele esteve exilado durante uma década na Argentina e também na Europa (França e Portugal). Apesar de não ser uma exilada, essa frase me tocou, porque depois de um tempo longe do nosso pais, nós nunca voltamos os mesmos e nem para o mesmo lugar - é como se eu voltasse para o Rio de Janeiro e a minha cidade não estivesse mais lá. O Rio de janeiro mudou? Pode ser, mas na verdade, a mudança maior foi em mim. 

Parafraseando o autor Jankélévicitch que tem uma frase maravilhosa que diz assim: 
"On ne se baigne pas deux fois de suite dans le même fleuve (…) Celui que se bagne deux fois de suite n’est pas le même homme: d’un bain à l’autre le baigneur a autant changé que la rivière…" »  Traduzindo: "Nós não nos banhamos 2 vezes em um mesmo rio (...) Aquele que se banha 2 vezes não é o mesmo homem, de um banho ao outro, o banhista muda tanto quanto o rio"


(Talita) Sim... adorei isso! Temos o mesmo nome, a mesma cara, mas não somos os mesmos de ontem. Não mesmo! Já não sou mais a garotinha aventureira sobre a qual estou te contando hoje.


(Talita) Que características do povo parisiense você acha que adotou pra si?
(Luiza) Talvez seja o fato de estar mais introspectiva, mais séria ou certinha.... Não sei.


(Talita) Mas dá pra ser bem brasileira e certinha também... (rs). Acho que é natural a maturidade nos tornar mais sérias. Mas aí a gente se torna mãe e volta a ser criança junto com o filho. E isso deve ser assim em qualquer lugar do mundo...

(Talita) Deu pra fazer tudo que queria desde que pisou pela primeira vez em Paris? 
(Luiza) Lógico que não... Aqui tem mil coisas pra fazer e também queria visitar uma cidade que fica no sul da França que se chama Carcassone. Eu vi as fotos e fiquei encantada, é uma cidade medieval LINDA!

(Talita) Me conta uma coisa também... vai sentir falta de algum pãozinho de alguma padaria específica? 
(Luiza) Vou sentir falta da comida francesa sim, principalmente do pain de chocolat e do croissant (nossa, que delicia!!!) e é claro, da comida do meu namorado francês, que cozinha muitooo bem!


(Talita) Gostei de saber disso. Francês tem fama de cozinhar bem mesmo. E ter um namorado que cozinha bem é um privilégio! Meu marido não é francês, mas é um ótimo 'chef de cuisine'.


(Talita) E que comidinha brasileira já está ansiosa pra voltar a experimentar?

(Luiza) Estou louca pra comer muito pão de queijo e feijão!!!





(Luiza) Qual o motivo da sua viagem e por que decidiu ir pra lá e não para outro país?
(Talita) Minha viagem à Nova Zelândia foi um tipo de intercâmbio cultural. Fui convencida por meu pai, ainda quando tinha uns 14 anos, a estudar fora. E viajei com 17. Escolhi o país porque quando chegou o momento de 'decisão', falava-se muito no 'país das aventuras radicais' e aquilo tudo na época me fascinou bastante. Era o ano de 2000 e a Nova Zelândia começava a receber um número maior de estudantes brasileiros. Junto a outros dois alunos, fui a primeira brasileira a estudar na escola que me recebeu com todo carinho. Acho que viajar aos 17 não é a melhor escolha, mas minha viagem teve apenas saldos positivos.

(Luiza) Já eu acho que ter uma experiência desse tipo com 17 anos acho que faz amadurecer bastante, passamos de adolsecentes à fase adulta em tão pouco tempo, pode até soar uma mudança drástica, mas como você disse, a sua viagem teve apenas saldos positivos...



(Talita) Pra minha vida sim, eu sempre fui muito responsável. Mas não penso o mesmo para a da maioria dos demais brasileiros que lá encontrei e que só pensavam em gastar a grana dos pais, em namorar todos, beber e se drogar.

(Luiza) Qual foi sua primeira impressão assim que botou o pézinho lá do outro lado do mundo, Talita?


(Talita) Assim que botei meus pezinhos lá, tive a impressão de ser o 'patinho feio', além de ter pensado: 'que lugar diferente!'. Todos olhavam pra mim de uma forma diferente e demoraram a se aproximar. Quando aconteceu, me perguntavam sobre as favelas de São Paulo e sobre futebol. Lá eles são loucos com o futebol brasileiro e apesar de eu jogar muito mal, acabei no time da escola e viajei um pouquinho competindo. Foi tudo muito louco e lindo ao mesmo tempo. Como assim o horário do ônibus para a escola é 8h21 da manhã? E como assim escolho apenas 6 matérias pra cursar e entre as minhas escolhas aprenderia sobre escalagem, rapel, traking, a construir iglus entre outras tantas coisas com as quais nunca tinha tido contato e ainda... na prática?!?!?!

(Luiza) Nossa que loucura ter matérias tão diferentes, uma amiga que foi para Austrália em intercêmbio relatou a mesma coisa, ela tinha cursos de Surf, Culinária, realmente bem diferente da nossa Matemática, Geografia, Biologia, etc. Eu queria ter essas matérias, afinal, a gente estuda tanta coisa que no final não utilizamos nada e acaba que a escola não ensina coisas mais práticas, como cozinhar, por exemplo... 


(Luiza) Antes de viajar, você já conhecia muita coisa sobre a Nova Zelândia?

(Talita) Não era muita coisa, era somente aquilo que 'tinha ouvido falar'. Pesquisei, descobri que as paisagens eram lindas, que tinham mais carneiros que gente, que produziam as maçãs e a manteiga melhores do mundo (eles gostam de dizer isso!), que é um país com forte influência da Inglaterra, muito próximo da Austrália, com um clima agradável (mas ele é bem maluco também!), enfim... poucas coisas que considerei suficientes pra planejar a viagem. 

(Luiza) Nossa, maçãs e manteigas... Essa eu nunca tinha ouvido falar!!!! Como planejou tudo?



(Talita) O planejamento incluiu uma preparação estranha. Pra me 'acostumar' a morar fora de casa, como dizia meus pais, fui aos 16 anos, um ano antes da grande viagem, morar sozinha em Belo Horizonte e tinha que cozinhar, lavar, passar... e quase não vi meus pais nesse ano. 


(Luiza) (Risos) Adorei essa idéia de pré viagem. A minha irmã está há pouco tempo na Austrália e ela está sentindo na pele a responsabilidade de morar sozinha ou com amigos, acho que ela também pecisaria desse "tempinho pra se acostumar" à nova vida!

(Luiza) Qual foi a experiência que mais te marcou?

(Talita) Não houve uma, mas várias. Apesar de eu ter passado por vários 'apuros' em que quase me acidentei gravemente, as experiências que vão ficar pra sempre são coisas como chegar ao topo de uma montanha de 350 metros depois de uma longa escadada, por exemplo. Os cabelos congelados pra fora do capacete, as luvas enxarcadas pelo gelo. A primeira vez que vi nevar, as macadâmias que comi em uma viagem, o estado em que fiquei depois de um dia de sobrevivência na selva e principalmente os sorrisos, a atenção e carinho que recebi de amigos que por hora me adotaram como da família.


(Luiza) Nossa, eu já fiquei até cansada por você pela escalada na montanha, mas também você estava na Nova Zelância, país das aventuras... Se não fizesse isso é como se fosse um estrageiro no Brasil sem ver o mar...


(Luiza) A Nova Zelandia é um pais ainda desconhecido para os brasileiros, o que sabemos é que trata-se de um pais de muita natureza e esportes. Os estereótipos confirmam?

(Talita) Hoje é tão complicado falar em estereótipos. A Nova Zelândia na época em que viajei quase não aparecia nas manchetes da imprensa brasileira, a internet não era tão acessível a todos como agora, mas hoje é diferente. O que posso dizer é que realmente a Nova Zelândia é um país onde a natureza fala mais alto. Todos estão envolvidos com ela de alguma forma e cuidam com carinho. Enquanto aqui no Brasil, poucos se importam em recolher seu lixo da praia, por lá tudo é bem planejado. Se se vai fazer um traking de alguns dias, não se vê lixo em lugar nenhum das florestas. Todos carregam o lixo que produzem e teem o cuidado de calcular onde armar as barracas sem prejudicar a vegetação local. É um país que tem filhos merecedores da natureza exuberante. E esporte é quase uma regra por lá. O Rugby é o preferido, seguido pelo críquete e pelo futebol. Em todas as cidades existem vários campos que lotam com competições nos fins de semana. É lindo de se ver. 


(Luiza) Eu conheci uma vez um neo zelandês. Com ele foi a primeira vez que eu ouvi falar de Rugby. É como um football americano com as regras um pouquinho mais diferentes (já tentaram me explicar, mas eu continuei sem entender!!!hehehehehe). Mas, é uma pena que nós (brasileiros) ainda não valorizamos toda essa natureza bonita de nossas terras. Fico tão triste de ver no final do dia, na praia, aquele amontoado de lixo na areia, é de cortar o coração...

(Talita) O Rugby tem mesmo uma característica forte do football americano, Lú. Ele pode ser tão violento quanto. A primeira vez que assisti a um jogo, saí transtornada. Como podem se divertir fazendo aquilo? É corpo contra corpo em função de levar uma bola. Isso pra mim não era divertido. Mas depois passei a ver que não se machucavam como eu achava. A brutalidade aparente não reflete o espírito dos jogadores que tem grande parte de maoris, povo nativo da Nova Zelândia cuja língua e tradições são amplamente preservadas, inclusive com curso da língua nas escolas. Depois podemos falar mais dos maoris, da dança tradicional que gostam de fazer antes das partidas dos jogos de Rugby... é bem legal. E sabe como eles se cumprimentam? Ah! Acho que essa vou deixar pra você me perguntar da próxima vez, tá?

Nosso BATE PAPO continua em alguns dias...

Oi gente! O que acharam do meu bate papo com a Luiza Machado? Gostaram da nova seção do dona perfeitinha? Depois que me contarem, deem um pulo lá no blog O guia de Paris. A Luiza tem um estilo super bacana de falar da Cidade Luz.



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7 comentários

  1. Talita, ficou super fofooo!!!
    Vou postar agora o nosso bate papo la!

    bjocasss
    lu

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  2. Oi Talita! adorei a nova sessão e adorei o bate papo! muito interessante e estou a espera do final dessa conversa hein! Beijinhos

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  3. Talita, ficou muito legal essa seção!!! PARABÉNS!! é bem interessante!!olha eu já morei fora do estado do RJ durante 6 anos, na verdade fiz passeios por "quase" todo o Brasil, pai militar, e já senti uma diferença de cultura, imagina morar fora do país durante tanto tempo...

    bjs

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  4. Oi, Layla,

    Estou atrasadíssima com minhas respostas aos comentários. Mas obrigada por todos, tá? Adorei saber que gostou da nova seção de bate papos do dona perfeitinha. E realmente você deve saber de perto as diferenças culturais desse nosso Brasil. é um privilégio! Adorei saber disso.

    Beijos,
    Talita.

    Débora e Déa,
    Obrigada pelos recadinhos,
    Talita.

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  5. Ola Talita, td bem?
    Pois eh, estava lendo o blog de uma amiga q vai fazer um encontro de blogueiras, e fui pesquisar alguns blogs de brasileiras na Florida, e nao achei nada, e apareceu o seu com esse post, o q foi super bom tambem.
    Ja estou te seguindo, e adoro novidades da terrinha. Fico triste pq nao tem nenhuma blogueira aqui perto de mim.
    Beijossssssssss de bem longeeeeeee!!!!

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  6. Oi, Rita,
    Parece que mora na Flórida há bastante tempo, né? Talvez se você fizesse um encontro de leitores do seu blog que moram aí seria legal também. Se eu souber de outras blogueiras brasileiras daí, te aviso, tá? Vi seu trabalho, muito legal. Parabéns.

    Beijo grande,
    Talita.

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"As redes de pescar palavras são feitas de palavras." Otávio Paz.