Apagão dos absurdos

2.3.10 Talita Cavalcante 3 Comentários

*Ponho meus pés no chão frio e corro pra varanda. O que vejo é verdade? A cidade às escuras por completo pela terceira noite seguida? De repente acendem-se dois pontos numa mesma linha, distantes por uns 6 quarteirões: o grande supermercado da cidade e o hospital. Ainda bem que existem geradores. Bate a vontade de ter um... mas quem precisa de TV e microondas à essa hora da madruga? Deixemos os geradores só mesmo pros pacientes. Eles precisam de conforto, de aparelhos ligados 24 horas... Se bem que há o congelador, a adega... tá tudo lá sofrendo há três noites. Será que avinagraram nossas garrafas mais caras?  Perdeu-se nosso bacalhau? [Revolta]. Tá legal que alguns pensam ser um absurdo pagar isso ou aquilo por uma garrafa de vinho ou por uma bela peça de bacalhau, mas por aqui ninguém se embebeda, é sempre coisa de momento, mas respeito, porque um dia isso já foi um absurdo pra mim também. Cada um com seu absurdo, né? O meu é pensar que tem gente que compra sapato e roupa toda semana. Quem é que precisa de tanto? É pensar que tem gente que prefere a aparência à amizade, que prefere falar de grana o tempo todo a falar de seus sentimentos. Tô cansada de ouvir por aí barbaridades. Parece que as pessoas jogam sobre si algum pozinho do fascínio toda manhã e vivem disso. Só perdem o encanto, quando por acaso, talvez num elevador, tem de olhar pra si porque não tem ninguém alí pra lhe dizer "Que esmalte lindo!", "Não, acredito! Você tem esses sapatos MARA?". Eu sei que tem gente que precisa disso pra sorrir. Mas eu não entendo. Eu sinto dó, pois ao mesmo tempo vejo que se perde... precisa dizer que faz isso, faz aquilo... será que faz tanta coisa assim mesmo? Será que o valor é superior ao do outro? Acho que tentar trazer o outro para seu mundinho de glória é um desafio delicioso pra eles. Tudo bem desde que respeitem quando alguém não gostar de fazer parte do teatrinho. Tem gente que mergulha em dívidas de luxo e continua comprando e comprando. Tem doença nisso... e mais doente ainda percebe que é a pessoa por trás dessa fachada de poder. Já ouvi falar de assistente social que tira filho de uma pobre coitada porque ela é bêbada. E a mãe rica que é bêbada? Por que não tiram o filho dela também? Esse mundo tá muito ridículo. Alcoolismo é doença, não crime. Esse mundo tá muito ridículo mesmo. Estamos cansados de ouvir casos de senhores trabalhadores rurais com toda sua aparência arrumadinha, chapéu e seu jeito peculiar da fala que chega pra comprar um carro, por exemplo, e é mal atendido. O vendedor pensa.. "esse aí não tem bala na agulha". É claro que ele vai comprar uma caminhonetona zero, muito cara - já que tem que ser boa pro tranco, mas vai ser na concorrência e a vista. Não dá pra dar uma gorjeta dessas pra quem não te atendeu com respeito e atenção. Por falar em gorjeta, essa é outra coisa que acho um absurdo. Sentamos no barzinho ou restaurante e lá ao final vem a conta, mas não bate com o consumido. "Ah! É que já está com os 10%!". Isso é cultural? É sim! Mas diga-me, por favor... Por acaso você me atendeu pessoalmente? O sistema é de buffet. Eu mesma me servi e busquei minha bebida. Você só me trouxe a conta. A que devo lhe agraciar com esse mimo? Acho assim: pago de bom grado os 10% culturais e não só isso! Ainda parabenizo o garçóm que nos atendeu pela simpatia e prestreza com que nos atendeu. Se fui bem recebida, bem tratada, bem atendida [principalmente], pago mesmo e até mais um pouquinho pra arredondar, mas não me venha cobrar como se isso fosse uma obrigação, uma lei... 10% cultural não é obrigatório e acho que todo mundo deveria não pagar quando não saiu satisfeito com o atendimento. Tem tanto absurdo no mundo que não dá pra listar, enumerar... dá só pra ir pensando, pensando... "Mas que absurdo! E essa luz que não volta? Acho que vou me deitar e torcer pro bacalhau e as bebidas não serem sacrificadas... afinal, acho que muitos absurdos aconteceram com muita gente até esses produtos chegarem na nossa casa. Pagamos o preço da modernidade, do estilo de vida, do conhecimento! Felizes os ignorantes em momentos como esse, não é mesmo?".

*É ficção, tá gente? Como quase nunca coloco esse aviso, sempre tem alguém que acha que sou eu a primeira pessoa do texto... mas não as culpo, pois não deixa de ser, não deixa de ser mesmo...


3 comentários :

  1. OLá Talita td bem?
    Adorei o seu Blog. Estava fazendo uma pesquisa no google sobre passadeira profissional e achei o seu blog. Gostei muito do seu perfil que se parece muito com o meu (ainda não me rendi aos blog's). Amo viajar, sou web Designer e trabalho em casa tb, tenho 45 anos e 2 filhos gêmeos de 17 anos e morro em Salvador (mas sou carioca).Amo essa terra de paixão.
    Já morei em BH por 8 meses.
    Espero conversarmos para trocarmos figurinhas.
    Parabéns pelo seu trabalho.
    Beijo grande.
    Márcia

    ResponderExcluir
  2. Oi Talita, concordo com td q vc escreveu!
    eu ja me recusei a pagar os 10% por duas vezes, e nas duas vezes eu senti a revolta c a minha atitude como se fosse uma obrigação pagar...
    Ainda bem q aq no Japão, eles se recusam a receber gorjetas rs

    ResponderExcluir
  3. Oi, Márcia,
    Quem bom que gostou desse meu cantinho. Ele me diverte muito, principalmente quando recebo recadinhos lindos como esse seu. Adoro conhecer gente nova e manter contato por aqui. Que história legal a sua! Muita coisa pra contar e dividir você tem, né? Quero muito ir descobrindo. Vamos trocando muitas figurinhas, claro! É um prazer.
    Um beijo também,
    Talita.

    Oi, Dea,
    Acho que em São Paulo tão querendo fazer uma CPI da gorjeta porque lá a coisa é feia, tem até patrão cobrando do funcionário por não ter conseguido os 10%...

    Beijos,
    Talita.

    ResponderExcluir

"As redes de pescar palavras são feitas de palavras." Otávio Paz.