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13.4.10 Talita Cavalcante 1 Comentários

Dei um pulinho alí na Bahia com minha família e tivemos dias muito legais. Deixei postagens programadas e há 15 dias não acessava a internet. Tenho caixas de e-mail lotadas e estou me divertindo em ler aos pouquinhos. Logo respondo as perguntas e já agradeço pelos recadinhos. Minha filha está aqui ao meu lado com sua mesinha, brincando com massinha. A casa está uma bagunça, mas não posso deixar o bloguito sem postagem... tô com saudade! Sinto que quando escrevo nesse cantinho, é como se me encontrasse em algum clubinho secreto da infância com muitos amigos, como se cada um fosse ao palco falar sobre algo por algum tempo e quem assistisse pudesse completar com essa ou aquela informação, fazer perguntas, sorrir, calar-se... é gostoso imaginar o virtual real, é gostoso imaginar que cada palavra nos aproxima de alguma forma.

Não fosse o pesadelo que muitas famílias passam pela perda de pessoas queridas e de suas casas em diversos cantinhos desse país, seria essa postagem só de casos felizes, mas não sou do tipo que leva a vida sem análises. Chorei naquele quarto lindo do hotel e isso se deve às imagens televisadas do sofrimento  real de moradores e familiares daqueles soterrados aos montes em Niterói. Esse é o nosso tipo de terremoto, mas ao contrário desse último, o nosso tipo não é um desastre natural. Não é natural, não tem a ver com a natureza, nada tem a ver com a chuva como muitos "responsáveis"  parecem querer culpar. Onde eu estava choveu mais do que no Rio no mesmo período. É muita chuva mesmo, mas problemas só tiveram quem mora em lugares inapropriados pra se morar. Olha que coisa! Moram onde não se pode morar! Nós que temos casa segura e conforto desejamos que todos eles possam ter uma nessas condições também. Não vou falar do Estado aqui porque estou muito ** com ele. Só consigo pensar na dor de se ter escombros e terra sobre pessoas como eu, crianças... e a dor me corrói porque eu tenho família, tenho amigos e não consigo dimensionar essa dor que é real para muitos. Há tanta coisa feia por trás que dói mais ainda. Eu moro nesse país! Eu queria conseguir votar só em pessoas que soubessem administrá-lo bem, eu queria que a especulação imobiliária não fosse tão agressiva enquanto muitos não tem como alugar ou comprar um lar decente. Eu queria que todos tivessem seu bom emprego e que não aceitassem ser corrompidos. Eu queria que fossem verdadeiramente ´caçados´ e punidos aqueles que usam de dinheiro (e ainda sujo!) pra comprar votos. Que a dor se amenize. Todos os dias ela está presente na vida de alguém e isso já é assustador, mais ainda quando ela aparesse de uma só vez na vida de milhares. Meus sentimentos. Sinto muito mesmo.
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Um comentário :

  1. É foi uma das piores tragédias no RJ. Não somente em Niterói como também em Sepetiba, Xerém (Baixada Fluminense) está alagada, parece um rio e as pessoas são retiradas de barco!!! É tão pouco o que as autoridades podiam fazer, basta dar uma boa moradia, empregos bem remuneravel, saúde para que todos fossem assistidos!! Mas infelizmente nosso políticos pensam apenas em roubar...

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"As redes de pescar palavras são feitas de palavras." Otávio Paz.