Torna-te quem tu és

Ontem assisti à entrevista com a Sandy no Marília Gabriela Entrevista, do GNT. E aí que ao pedido da frase no final da entrevista, Sandy cita essa, que dá título à postagem, do filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Uma das várias frases famosas dele, 'Torna-te quem tu és' é maravilhosa, na minha opinião. Gostaria de ler Nietzsche, coisa que ainda não fiz. Conheço frases famosas dele, mas nunca o li. Sei que ele escrevia muito sobre a alma humana e que, contraditoriamente, viveu em depressão. É fácil imaginar o lado belo de sua escrita como uma tentativa própria de ser feliz, mas ao mesmo tempo é difícil imaginar alguém que escreve coisas lindas sendo infeliz. Por isso, à citação de Sandy ontem, fiquei mais curiosa ainda por ler algo na íntegra desse filósofo. Alguém me sugere?

E já que a frase me foi lembrada, deu vontade de escrever sobre o assunto. Esse assunto tão em voga para todos, o de sermos, descobrirmos, vivermos conforme nós mesmos. Isso nunca foi fácil pra ninguém em nenhuma época e hoje, acredito, continua complicado, talvez até mais, já que somos rodeados pela existência de muitos estilos, muitos pensadores, muitos preconceitos, muitos conceitos. Então, afinal, como nos descobrir e nos tornar nós mesmos em meio a tudo isso? E quanto às pressões à nossa volta? Faça isso, faça aquilo... sugestões que fogem à nossa vontade, às nossas necessidades? Quão difícil se torna, portanto, sermos quem somos!

Tela que me encanta - minha preferida das de Claude Monet, "nascer do sol", pintada em 1872. 
Um pouco mais sobre mim, já que tudo que gostamos revela um pouco da gente.

E aí que me lembro que o que estou fazendo agora, além de ser um ato corajoso, já que poucos se atrevem, é uma busca própria por mim mesma, por me afirmar diante do que sou, do que sigo, do que vivo. Falo de escrever. E claro que essa escrita não fica no campo do segredo, entrego-me às críticas, pois me atrevo a mostrar num blog coisas tão unicamente minhas que não há como não ter um retorno de quem lê. Esse retorno me é riquíssimo e também me ajuda no exercício do espelho. Olho-me por minhas linhas e por linhas analíticas de outros também. Que coisa grandiosa e abrangente não é então pra mim esse bloguito, meu querido 'dona perfeitinha'!

Eu que sou alguém assumidamente em busca eterna de crescimento interno, encontrei-me mais ainda em minhas exposições e tentativas dignas de auto análises por aqui. Meu blog me é o meio de dizer a quem quiser que sou falível. O nome dona perfeitinha é bem pejorativo, é sinônimo de críticas pelo meu jeito certinho que nem mesmo saberia abrir mão se algum dia qualquer um pudesse me coagir a respeito. Portanto, tornar-me quem sou já é algo que pratico até mesmo muito antes de ter meu livre arbítrio permitido. Mas hoje, por sorte, posso buscar mais de mim mesma sem ter que me esconder debaixo da mesa. Tanto que descobrir parte de mim guardada por um tempo me deu uma coragem incrível de me permitir mostrar-me mais. E aqui faço isso, por vezes de forma impressionante que alguns me perguntam "como consegue"? Eu apenas sei que sou feita de alegrias, belezas e algumas cicatrizes e quem me conhece poderá reconhecê-las todas em minhas linhas do dona perfeitinha, já quem não conhece, mesmo autores de algumas marcas minhas, não poderão achar qualquer significado, infelizmente, porque sinceramente queria mostrar que apesar de fatos, o que importa pra mim é o que acontece hoje e o que há de acontecer amanhã. Pra mim, presente e futuro mudam qualquer passado.

Você, por mais desanimada ou animada em ler sobre esses meus pensamentos, com toda certeza há de entender que essa busca minha não é solitária, não é? Somos e estamos todos em busca de nos aprofundar e nos conhecer mais e mais, de saber e preferir tudo aquilo que mais nos faz sorrir, priorizar as boas amizades, nos permitir sermos claros para não nos ver obrigados à mentira ou ao fracasso. E essa busca minha tenho me permitido aqui no blog em meus escritos desde sempre e assim pretendo continuar, pois já que existo e escrevo, nunca haverá um texto meu que nada tenha a ver comigo. Como sempre digo, minhas linhas por mais estranhas que sejam são sempre parte de mim e mesmo por mais ficção que sejam são sempre significativas pra mim.

Tornamo-nos quem somos a partir do momento em que nos deixamos transparecer. Em que não deixamos os medos dos "se´s" pessimistas dominarem nossas vidas. Eu, por exemplo, com respeito ao carinho de todos vocês e à atenção que dedicam em ler o que escrevo, permito-me isso tudo aqui no dona perfeitinha. Claro que não sou a clareza e a transparência total de mim mesma por aqui, já que sabemos o que é a internet, mas sou o máximo do que posso ser, com toda certeza, pois escrevo de coração, pensando em dividir, em repartir, em compartilhar casos, histórias e opiniões. E tenho a sorte de encontrar muitos de vocês fazendo o mesmo por essa blogosfera afora. Obrigada. Vamos então, todos, 'tornar-nos quem somos' por aqui também.

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