
Momento super apropriado esse de estreia do filme 'Amor por contrato' nos cinemas de todo o Brasil. Apesar de nele o tema Natal não existir, há muito que podemos comparar. O Natal realmente mudou seu espírito ao longo dos tempos. Hoje Natal é época de presentear em primeiro lugar. O menino Jesus é lembrado, mas não mais como antes. A grande 'estrela' do Natal é o Papai Noel e esse, mesmo que todos saibam ser o melhor vendedor do universo, todos parecem querer fingir que ele não é um vendedor. Realmente ele é mais que apenas um vendedor, ele é o 'bom' velhinho, lindo, carismático e com os sentimentos mais puros para passar. E mesmo que ele não seja realmente de verdade, ele consegue além de vender de tudo, também inspirar os verdadeiros Papais Noéis que doam serviços, doam carinho, doam sustento em nome do verdadeiro espírito natalino, os papais noéis humanos, com seus vários motivos para sê-lo desde arrependimentos a promessas, desde aproveitar oportunidades de fazer o bem à grande vontade de agradecer ou de ajudar. E tem aquele lado mágico do Papai Noel que também é lindo de ver deixando os olhinhos infantis brilhando de encantamento. E esse é o lado maravilhoso do Papai Noel que as famílias deveriam deixar fluir com alegria, mesmo que nelas só existam adultos em alguns casos.

Tem gente, porém, que é extremo e joga pedra na imagem do 'Papai Noel' tanto explorada pelas empresas para venderem muito nessa época do ano, mas acho isso tão sem graça e tão sem mérito. A imagem do bom vendedor velhinho pode inspirar atos nobres também e sabemos que acontece aos montes. O grande problema, porém, está em outro foco, não no incentivo ao consumo, não na atração dos gastos. O grande problema está em quem confunde
ter com
ser feliz, em quem confunde ou acredita que dar presentes caros faz com que outros lhe deem mais valor, está em achar que se o outro tem, ele tem todo o 'direito' de ter também, nesse último caso, o 'direito' é uma outra confusão para justificar sentimentos ruins como inveja e a vontade de mostrar um 'poder' material verdadeiro ou, nos casos mais tristes, um poder material que não existe e que é apenas uma máscara, triste máscara que vicia, gruda e que por vezes causa o fim de muitas histórias, seja de amor, de luta, de família, de sonhos.
O Natal, tristemente, é tempo de tristeza para muitos também. Nessa época o índice de suicídios é preocupante, chegando a bater recorde de qualquer outra época do ano. E não é nenhuma surpresa que a maioria dos motivos que fazem tais fracos interromperem suas vidas nessa época do ano principalmente, tem a ver com dívidas, gastos que não trouxeram felicidade, com sentimentos de inferioridade por inveja ou por terem sido vítimas de pessoas que esnobam poder advindo do 'dinheiro'. E aí entra o assunto principal do filme que citei no começo, 'Amor por contrato'.

Com Demi Moore, o filme trás uma estória louca de uma família inventada que nada mais é que o 'marketing' mais certeiro de venda para qualquer que seja o produto. Questões morais e ligadas à felicidade, ao que verdadeiramente importa nessa vida são abordadas ora de forma demasiadamente exagerada, ora de forma bonita e simples que acaba nos cativando e nos fazendo refletir sobre o que há de verdadeiro em mim, em você, por trás dos óculos de marca, por trás do luxo aparente. Coisas graves acontecem como na vida de muitas famílias nesse universo de consumo exagerado e são um choque proposital para quem sabe acordarmos de verdade para uma reflexão sobre o que realmente importa na vida.
A questão do consumo é assunto que rende muito, mas apenas gostaria de indicar o filme como forma de reflexão sobre o tema. Acho que vivemos num mundo capitalista, de consumo, de várias facilidades de conforto que antes não existia e acho que devemos ter o que podemos, mas não tão influenciados pelo 'outro' e pelo 'do outro'. Os blogs são realidade de indicações de consumo. Eu mesma adoro falar de bons produtos que valem ser consumidos, mas toda vez que o faço, também agora ao indicar um gasto com cinema, faço pensando que sejam os influenciados racionais e não se deixem levar por sentimentos distorcidos, afinal, todos temos que planejar um futuro, todos temos responsabilidades além dos 'desejos', todos temos que trabalhar muito para chegar onde quer que queiramos. E acho que 'consumir' deve ser sim uma recompensa, mas muito bem planejada também e com a clara noção de que não é isso que nos fará feliz, mas sim os verdadeiros laços de amizade e familiares, aqueles que nos fazem sentir-nos bem simplesmente por estar ao lado. E hoje quero desejar um feliz Natal para todos vocês, Natal que se aproxima e que simplesmente precisa ser passado com os mais amigos, mais presentes durante todo o ano, mas que se tiver de passá-lo sozinho ou longe daqueles com quem gostaria de estar que o faça sem entristercer-se, que o faça pensando que logo logo terá a companhia de quem quer porque todo dia é dia de ser feliz, da forma que der.

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