O que fazemos com a tristeza?

by - 13.1.11

Estamos de novo vivendo a tragédia de muitas famílias que se dissiparam junto com encostas, que perderam tudo com as enchentes, que vivenciaram e continuam passando por situações que requerem muita força pela sobrevivência. Não há como não chorar com a dor daqueles que sobrevivem perdendo seus amores, seus filhos queridos, seus pais, seus amigos, suas famílias. Como continuar vivendo depois disso? Não há como não nos sentir agoniados com a tristeza tamanha dessas tragédias que se repetem ano a ano e que neste, infelizmente, pelo menos para o estado do Rio, se tornaram a maior delas em 50 anos de história. E por que? Para alguns, por necessidade de moradia, por falta de escolha. Para outros, por vaidade em construir no topo, ter uma bela vista, por não ligar para as regras da natureza (e nem mesmo para algumas dos homens). E agora, como ficam todos eles?

Ficam com essa dor imensa que lhe rancam as palavras, lhe rancam as batidas do coração, que os enfraquecem e os condicionam a viver sem respostas e sem esperanças por novas motivações. Rezarei por eles, como todo ano. Pedirei que se recomponham da melhor forma, que ajudem e vivam por quem ainda luta, por quem ainda quer sobreviver a tudo isso. Que vivam por si mesmo e por quem se foi e que mais adiante possam fazer melhores escolhas e que moradias seguras não sejam mais algo que lhes falte.

Minha dor é grande, mas sei que passa. A deles é algo que lhes crava a alma. Qualquer que seja a trajédia, não apenas essas, mas é tão triste, não é? Se já me abati com a notícia de que na minha cidade natal do interior de Minas um homem morreu soterrado há vários dias, pela mesma causa hoje me abato de novo, com uma dor maior por saber que milhares, um número assustador anunciado, coisa de mais de 300 pessoas, se foram de uma vez só. E há uma história aqui, outra ali, todas terríveis dividindo o mesmo terror. Sinto muito, muitíssimo por todos. Não há muito mais o que dizer.

Eu apenas espero que todos procurem ser responsáveis. O poder público que já relaxou demais com certas questões se segurança, deve começar a trabalhar direito. As pessoas que constroem violando normas porque tem poder pra isso, devem ser impedidos. Quem se nega a deixar sua casa mesmo sabendo do risco que corre, deve ser retirado a força, porque não há injustiça maior que morrer. Mas antes de tudo há que se criar mais políticas para que todos tenham moradias dignas, há que se gerar alertas sempre que preciso porque esses são essenciais e fáceis de se prever... a previsão é de muita chuva? Começou a chover muito? Cadê os responsáveis, cadê quem diz que trabalha com isso? Cadê as autoridades nessa hora? Será que estão todos curtindo férias? Se estiverem, com toda certeza não viajaram para regiões serranas, muito menos ficaram hospedados perto de encostas e, portanto, vão poder explicar direitinho por que foram mais uma vez incompetentes.

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3 comentários

  1. O que pode conter a devastadora mão do homem que constroí em encostas? Leis? Fiscais? Infelizmente nessa região quem chegou primeiro foram os ricos, puxando centenas de pobres para trabalharem em suas mansões. Por destino, ou falta de sorte eles morreram em número maior.

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  2. Talita, to de ferias e em casa sem nada a fazer e explorei seu blog inteirinho. Amei. Parabens tb pela sua linda princesa.

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  3. Anabela,
    Adorei o que escreveu... e fico mais chateada com o fato de que as prefeituras receberam o alerta, mas não fizeram com que a população soubesse, muito mesnos 'fizeram' algo efetivamente para evitar mortes. E agora dizem que não tinha jeito pelo volume de água, que fizeram tudo que podiam - fizeram o que, né?

    Oi, Ciça,
    Obrigada pelo recadinho. Fiquei feliz em saber disso. Continue explorando então e tomara que continue acompanhando. Sofia é uma princesa mesmo, meu amorzinho.

    Beijos,
    Talita.

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"As redes de pescar palavras são feitas de palavras." Otávio Paz.