Sobre tornar-se mãe

30.3.12 dona perfeitinha 2 Comentários

Falar da maternidade planejada hoje é sinônimo de falar também de outras questões que envolvem o 'ser mulher' nos dias de hoje. Hoje. O 'hoje', palavrinha que já começa querendo ser protagonista desse texto, é de fundamental influência na grande decisão de nós mulheres nos tornarmos mães, e você, mulher, mais que qualquer outro ser, deve entender do que estou falando. Você com toda certeza sabe do peso do 'hoje', ou do 'hoje em dia' em sermos além de mulheres, mães. Houve tempos em que éramos somente mães e o éramos sem escolha. Houve tempos em que com escolhas mais amplas concedidas a nós mulheres, passamos a delegar as obrigações da maternidade aos empregados, para um sentimento de status, de poder 'decidir'. Houve tempos em que as escolas passaram a ser as responsáveis pela educação, tanto que em muitos lugares elas eram em período integral - nesse época, nós mulheres começávamos a nos destacar em várias áreas de trabalho antes pertencentes apenas ou quase completamente aos homens. E, nós, mulheres de hoje, muito temos de todas as outras de 'ontem'. São tantas influências, tanto a se admirar ou a se envergonhar que carregamos o peso do conhecimento. E aí temos que ter muito bom senso para equilibrar toda a carga de obrigações e ambições que carregamos 'hoje' para que possamos ser ótimas mães em meio a tantas loucuras dos 'dias de hoje'.

Sabemos como são as coisas, sabemos como é ter que trabalhar pra sustentar um filho. Sabemos que há muito a se temer nos dias de hoje. Sabemos que não é fácil lidar com o peso da vontade de estar com nossos pequenos e ao mesmo tempo querer continuar focada no trabalho, progredir. Abrir mão de uma coisa pela outra já não se é cogitado pela maioria. Mas como dar conta? Como ser uma mulher maravilha, tão cobrada pelos homens, pela sociedade, pelo mercado consumista, pelo 'hoje'?

Impossível é palavra que não deveria existir, mas existe. Mas nós mulheres de 'hoje' não queremos dela nos aproximar. Pelo menos não nos 'dias de hoje'. Precisamos ser reconhecidas profissionalmente. Precisamos ser bem sucedidas no relacionamento amoroso. Precisamos conseguir formar família antes dos 35 anos e nos tornar mães antes dos 40, para quem de nós mulheres ainda sonhar com isso, claro, pois o sonho da maternidade está muito misturado às cobranças da sociedade, está também 'hoje' associado ao 'poder aquisitivo' do casal ou da mulher em questão que decide engravidar. Seria perfeito se o 'hoje' não tivesse tanto peso sobre a decisão da maternidade. Mas tem e total. De novo temos que saber equilibrar tudo, olhar pro nosso interior e nos entender, seguir nossas vontades mais profundas, aquelas que nada tem a ver com a razão, afinal, a maternidade é muita emoção.

Mas enquanto vivermos o 'hoje', temos mesmo que ser muito racionais, afinal, o 'hoje' nos exige atenção à toda prova: atenção com horários, com o 'como falar', com saber com quem deixamos nossos filhos enquanto trabalhamos, conhecer bem a escola e os professores deles, decidir sobre onde morar, preocupar-nos com os perigos que nos rodeiam e aos nossos filhos, preocupar-nos com uma segurança enorme que envolve atos pequenos como andar na rua ou averiguar o estado do brinquedo do parque, preocupar-nos com o futuro, em como conseguir nele o mesmo padrão de vida de hoje, porque as coisas andam difíceis para todo mundo. Todos querem mais, então sobrará menos para cada um se a família aumentar. Coisa incrível, mas acho que no final das contas foi o mercado de consumo que ao crescer, diminuiu o número dos membros de uma família (polêmico, mas penso exatamente isso). E não tem mesmo como o 'hoje' ser menos consumista. Já não dá mais pra voltar no tempo e viver fora ou sem influência das cidades. Sabemos o que é 'conforto', queremos o melhor para nós e nossos filhos. A boa ambição nos toma conta e temos que correr atrás. Mas mesmo assim, somos mulheres e, uma hora ou outra, na maioria de nós, baterá aquela vontade de se tornar mãe, seja pela primeira, pela segunda ou pela terceira ou quarta vez (acho que mulheres de 'hoje' quase não passam desse número, né?) e é aí que ao nos permitir isso vamos descobrir que nada faz mais sentido que isso. Afinal, somos mulheres. O difícil vai ser tomar a decisão, mas grandioso será nosso aprendizado quando acontecer. Deixamos de ter 'as mesmas opiniões formadas sobre tudo'. Tudo muda, nós mudamos. Mulher de hoje? Não! Mãe! E tornar-se mãe, ainda 'hoje', tem o mesmo efeito que já tinha 'ontem' e terá 'amanhã'. Eu vou descobrí-lo em breve pela segunda vez. E você?


2 comentários :

  1. Nossa!!!
    Parece que este texto foi escrito para mim...
    Pensei que só eu passava por "crises" existenciais com relação a maternidade!!!
    Já sou mãe... Quero ser novamente, mas faltava coragem...
    Depois do que li: VOU SER MÃE!... De um, ou dois, ou três...
    Amei... Beijos e parabéns!!!

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  2. Sempre visito sua página,tem coisas muito legais e que ja me ajudaram muito, mas nunca comentei.
    Este post foi bárbaro....nao sou mãe e nem tenho vontade de sê-lo. Mas para quem tem acredito que deve ser terrível ter de escolher entre ser mulher maravilha e ser só mae. A segunda opção nao serviria pra mim. Preciso de minha independencia financeira, so assim me sinto segura.Por maios grana que tenha o marido ou por melhor que ele seja, acho muito dificil "depender", E há as que vão falar que nao é dependencia, é uma família e etc...pode ser, mas na primeira briga vc fica ressentida e já nao vai comprar aquele sapato de R$ 200,00. Isso sem contar a questão intelectual. Afinal, ficar em casa com um bebê, por mais inteligente que seja a mulher e mais conectada..nao é a mesma coisa que ela estra trabalhando e convivendo com outras pessoas...Eu fiquei desempregada uma época...foi a pior e´poca da minha vida, independente da questão financeira que era a de menos...Eu me sentia uma pessoa de terceira classe pq não conseguia me colocar o mercado. Graças a Deus, passou.Por essas e outras, admiro muito a mulher que resolve ficar em casa para cuidar dos filhos e poder acompanhá-los de perto.
    bjs

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