Instrumento de trabalho

9.9.13 dona perfeitinha 1 Comentários


Lá estou tentando me convencer de que o computador não foi contaminado por um vírus à toa. É possível haver uma charada em tudo? Por que na maioria dos acontecimentos procuramos por uma razão 'sobrenatural'? Ah, você precisava descansar e por isso seu computador deu pau, alguém me disse. (Cara! Mas no lugar de me sobrar tempo, precisei me virar em duas pra trabalhar de outro computador e ainda dar um jeito de fazer o backup do meu e restaurá-lo!). Levei 3 dias. Problema que não tem solução não é problema, mas esse tinha solução... teve! Problema que é problema, deixa de sê-lo quando é resolvido. Resolvido! Dá pra passarmos pro próximo tópico?

Não é nada bom ver seu instrumento de trabalho te deixar na mão. Sentimento: impotência. Somos impotentes. O cantor é impotente sem sua voz. O pianista sem o piano (ou os dedos: triste, mas fato!). O mecânico também precisa das mãos. O escritor, porém, pode hoje ter apenas voz. Voz. Falada, gravada, e transformada em texto por outro. Mas o que mais o escritor precisa é de tempo. Tempo ocioso, tempo livre. Tempo pra concentração. Tempo sem telefonemas, interfones, sem empregada que falta ao serviço (a minha... hoje!). Tempo com as crianças na escola (se escritora mãe) ou com uma esposa incrível (se escritor pai). Só quero desabafar uma coisa: se você é um escritor que produz o suficiente pra se sentir orgulhoso, saiba agradecer seja à sua mãe ou à sua esposa, qualquer que seja a mulher que lhe garanta tempo de produção sem interrupção. Porque afinal você já é um sortudo por ser escritor (só o é se já conseguiu publicar um, que seja, livro) e mais ainda por ser escritor homem. A verdade sobre bons escritores não é que sejam na maioria homens, mas sim que só se revelam bons os que produzem mais e evoluem no processo. E nesses termos, os homens tem um tempo garantido em maior quantidade que qualquer mulher, seja ela namorada, esposa ou mãe ou tudo isso, imagina! Outra verdade, porém, das mulheres escritoras, é que apesar do tempo achado em migalhas para sua escrita, a satisfação com aquilo é tão grande e sincera, tamanho seu orgulho de ser tudo e ainda escritora, que rompe, interrompe, joga-se ao chão qualquer constatação ou reflexão como essa acima. Nada mais importa.

Hoje é dia do escritor? Não. Já passou (25 de julho). Mas meus parabéns a eles assim mesmo. E a elas, pela minha especial admiração.










Um comentário :

  1. Bom dia, querida!
    Que reflexão mais relevante!
    Sabe, estou longe de ser uma escritora, até pq nunca publiquei um livro, porém, tenho orgulho dos meus rascunhos também.
    Escrevo desde pequenina e não me imagino passar sem isso mais.
    Porém, desde que me casei e tive meu filho, passei a escrever em migalhas, como disse.
    É, me vi nos seus rascunhos, amiga!

    Bjs! Lindo dia!
    Karin Filgueira - Meu Doce Lar

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