Volta lá, volta! Volta na infância!

12.10.13 dona perfeitinha 0 Comentários

Lá estava eu com as varas de bambu compridas em mãos, arrastando-as da horta ao terreiro da casa dos meus avós. Ainda sozinha esperava pelos primos acordarem. As varas definiam no chão de cimento a separação dos cômodos da casa 'imaginária'. Sempre brincamos de casinha, era gosto comum, mas claro que nós meninas mais velhas, mandávamos mais nos mais novos, principalmente menino ou irmão. A família mudava todos os dias. Ora um era pai, ora filho, ora primo, ora vizinho. Bom que ninguém enjoava. Vivíamos brigando por coisa pouca também, puxões de cabelo eram frequentes. Lembram do 'Belém, belém, nunca mais tô de bem'? Ainda tenho nítido a sensação dos dedinhos tocando as bochechas.

E aquele vento gostoso no rosto da corrida da venda até a porteira? Que lembrança boa! É como se vivesse um pouco disso de novo. Língua pra fora, mãos apoiadas no joelho, fala gaguejante... É.... o fôlego se foi mesmo, melhor sentar na terra batida, 'o que que tem?'.

Quem é que se importa em se sujar quando se é criança? Se bem que isso acho que é coisa de nós crianças do passado, pois tem muita criança por aí sendo vestidas com roupas que valem ouro, fortunas gastas pelo status. E aí que na hora de brincar só se houve 'menina, não pode porque vai sujar'. Então não se pode mais brincar com tinta ou geleia, massinha e muito menos com terra! Brincar com terra, que delícia! Areia então... pura diversão!

Lembrança de sujeira da minha infância é de quando eu brincava de fazer panelinhas de barro e o barro parava nas pernas, no rosto, nos braços. A melhor argila dava os melhores pratos, rs. Depois da arte, ansiava pelas panelinhas secarem. E elas secavam antes que conseguisse eliminar o preto debaixo das unhas! Urg! Dessa parte eu não gostava, rs.

Ah, a infância! A infância que vejo nos meus filhos hoje e que me ajuda a ser uma melhor mãe. Que me lembra que também já fui daquele tamaninho e que também já tive aquelas atitudes, aquela inocência! Para os papais que se esquecem de vez em quando que seu filho é SÓ uma criança, que muitas vezes o cobra como adulto, uma sugestão minha e do meu marido que sempre ajuda: liga pra ele! É! Pega o telefone, disca e pede pra falar com ele! É incrível como ao telefone, a gente se centra de novo e percebe o quanto eles são crianças e o quanto precisam da gente.

Ontem e antes de ontem passamos por um estresse enorme de preocupação. Filho é aquele ser mais importante do mundo pra um pai! Não é fácil lidar com a gente quando nos sentimos impotentes. A cabeça fervilha e tudo que pedimos é que seja com a gente, não com nossos filhos. Hoje agradeço: obrigada pelas crianças maravilhosas que temos o grande prazer de ser seus papais! Amor é pouco pra definir o sentimento entre a gente. E que todos nós e nossas crianças possamos comemorar muito o dia de hoje. E que se sujem e que nos sujemos juntos! Não há adulto que não saiba o prazer que é ser criança, o bom é que verdadeiramente nunca deixamos de sê-la, sentí-la, entendê-la.



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