Medo, pra que te quero?

14.11.13 dona perfeitinha 1 Comentários

Medoooo! Que palavrinha mais medonha, sensacionalista, chata e ridícula. Mas uma coisa tenho que admitir sobre ela, a danada merece todo nosso respeito, afinal, é do seu significado que somos moldados a não morrer na independência. Nascemos e inicialmente somos vigiados o tempo todo por um adulto. Várias são as razões disso, mas a principal é pela completa ausência de medo em nós pequenos seres humanos que nada sabemos ainda sobre a vida. Medo é uma coisa que é passada de pai pra filho. Conhece alguém verdadeiramente destemido? Duvido! Pelo menos acho que não existem mais destemidos depois dos 4, 5 anos de idade. É nessa época em que conseguimos certa independência dos pais. Que alegria! Mas você nunca parou pra pensar no porquê de conseguirmos isso? Adquirimos medos! Sim... é o medo o nosso diploma de independência. A nossa garantia de que não vamos fazer muitas besteiras. E quanto mais velhos, mais medrosos. Medo também é sinônimo de conhecimento. Quanto mais conhecemos sobre o mundo, mais medrosos ficamos. Mas nem sempre o gráfico de tempo e medo andam juntos. A linha do tempo ou mesmo da nossa idade só cresce, mas chega num ponto em que a linha do medo que seguia relativamente junto à outra, vai sofrer uma queda ou uma queda brusca, depende do caso. Claro que haverá sempre os muito velhos e muito medrosos, mas normalmente, depois que se já conhece muito sobre a vida, o medo começa a diminuir dentro da gente. Não vai desaparecer nunca, mas diminui ou pelo menos paralisa. Sobre causas, várias! E não vou entrar a tentar entendê-las agora. Meu foco, sendo hoje o medo e simplesmente ele, me diz que devo agradecê-lo, afinal, tenho medo, logo estou viva. O medo é sim um tipo de 'selecionador natural'. Quem não o tem, normalmente não sobrevive. O medo nos molda. Moldou os homens das cavernas e molda os bilionários. É o medo que preserva nossas vidas, nossas posses, nossa sanidade. E se ao início xinguei tanto a palavrinha, agora a elogio e agradeço. Mas não a toa a xinguei, claro que não. São poucas coisas na vida que não tem dois lados da moeda e o medo não é uma exceção. O medo tem mesmo seu lado bom de proteção à vida, mas claro que também tem seu lado ruim, o de paralisação dela. Há pessoas que se impressionam tanto que se travam. Quantas vezes eu mesma já não congelei, paralisei meus músculos sem conseguir me mover por medo, por exemplo, quando via minha filha ou meu filho pequeno em uma situação de risco? Não se assustem! Não foram tantas vezes, mas me lembro de pelo menos umas 4 situações assim. Em todas elas demorei mais tempo para correr e resgatá-los do que teria feito sem sentir o tal do 'medo'. O medo paralisante, seu lado mal da moeda. Uma vez fui levada pela correnteza de um rio, não sei mensurar quanto tempo ou quantos metros fui arrastada, mas no momento da queda, o medo me dominou. Demorei a tentar me mover e quando finalmente consegui tentar, descobri que a força da água era infinitamente maior que a minha. O medo me fez chorar por dentro, pensando na minha família, na vida que eu queria construir pra mim, um certo tipo de despedida. A vida, a que temos que agradecer a cada dia, me deu uma chance a mais. Hoje sou casada com o amor das minhas vidas, sejam quantas elas já vivi! E amada, rs, uhuuuuu! Temos dois filhos, duas crianças a quem investimos todas nossas teorias educativas, sendo a maior delas nosso tempo. E claro que o medo também é uma das teorias bem instruída por nós, rs. E tenho um orgulho e uma admiração profunda sobre cada tijolinho de decisão que tomamos juntos e que vemos o resultado. Somos apenas uma família que se ama, mas uma família que se ajuda e se interessa pelo outro, que dá risada e que não quer nunca ter vergonha ou se impedir de sorrir. O medo, se deixarmos, nos impede de sorrir. Ao pedido de um filho para fazer algo divertido, o nosso medo, se exagerado, nos impedirá de sorrir pra isso e por vezes fará o filho chorar. Um pai que tem medo deve educar seu medo, ou seja, se o medo é real, deve mesmo ser limitador para algo, mas nunca deve ser anunciado ao filho como apenas um 'não pode'. Há formas que devemos procurar usar para mostrar o lado bom da moeda do medo ao filho. Aquilo não pode, mas e que tal isso? Só como exemplo. O medo é necessário pro mundo em que vivemos - pra não dizer país! Mas somos nós os responsáveis pelo bom senso em fazer escolhas. Nossas escolhas devem incluir o medo, mas em doses apropriadas. E viver já é um risco por si só. Precisamos viver bem. Para isso, tem que haver medo mesmo. Mas se repararmos que o medo está dominando tudo, é hora de buscarmos ajuda; de nós mesmos ou de outros, o grau e as tentativas próprias é que definirão isso. O que devemos, porém, sempre ter em mente, apesar do grau e tipos de medos em nós, é que pra tudo há ajuda e contra todo mal há uma atitude possível de ser tomada. Temos apenas que deixarmos de ser ignorantes a respeito do medo. Medo não é sinônimo de insatisfação. Nem um dos dois lados da moeda do medo tem isso gravado. Se está insatisfeito com algo na vida, não vai ser em razão do medo. Porque, afinal, insatisfação tem a ver com escolhas e atitudes. Nelas sim pode haver medo em demasia. E é contra os medos demasiados nelas é que se deve lutar. Dar porrada em ponta de faca é inútil. Jogue fora algumas facas. É isso que se deve ser feito. Mas nunca jogue fora todas. Elas estão aí para nos proteger. Satisfação é sinônimo de equilíbrio, inclusive de equilíbrio de medos.

Um comentário :

  1. Olá Talita!
    Outro dia li em algum lugar que não me lembro onde que o medo é uma reação protetora e saudável do ser humano. O medo "normal" vem de estímulos reais de ameaça à vida e lutar pode ser uma reação positiva. Isso não quer dizer que fugir seja uma reação negativa. Tudo depende da situação e é preciso reconhecer os próprios limites. Quando há uma situação de ameaça real à sua vida, o medo não é uma reação patológica, mas de proteção e autopreservação. Concordo demais... Beijos

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