Inveja velada em língua afiada

by - 22.11.17



O ser humano precisa falar do outro. É algo necessário nas nossas interações. Nós precisamos uns dos outros e efetuamos observações com o foco em quem convivemos. Nem sempre isso é ruim. Isso pode nos acrescentar demais, trazendo reflexões importantes e de maneira positiva, já que, com nossas observações sobre o outro, chegamos a perguntas importantes sobre a vida. As conclusões podem ser boas e também ruins, e não apenas a repeito do outro, mas também a respeito de nós mesmos, ajudando-nos a crescer, evoluir...

Infelizmente, porém, o ser humano tem uma tendência a preferir falar mal a falar bem, a fomentar ilações, sem comprovações. Já reparou quanta gente sai encaminhando mensagens com teor acusatório sobre pessoas e empresas sem sequer pesquisar antes se aquilo é verdadeiro ou merecido ou apenas justo? 

Se o ser humano 'achou' algo de alguém, ou simplesmente acreditou no que lhe disseram, ele muitas vezes não tem pudor em reproduzir aquilo a quem quer que seja. E, normalmente, quando falamos mal de alguém sem fundamento, por dedução apenas ou criações da nossa mente, estamos fugindo de nós mesmos, do nosso próprio espelho. É hora de tomarmos cuidado, pois essa prática é viciante. Ela traz uma espécie de torpor à quem afia sua língua contra aqueles que de alguma forma lhe incomodam. Essa pessoa , a princípio, se sente bem, mas depois vem o tal torpor, e ela vira uma pessoa amarga, sendo difícil frear o que já está rolando morro abaixo.

O alvo de sua língua afiada tem algo que ela mesma gostaria de ter, seja a beleza, a alegria, o equilíbrio, qualquer coisa que na verdade é positiva, mas que ela deturpa em sua descrição sobre a pessoa. Ela gostaria de ser parecida, mas para si mesma ela diz que apenas não vai com a cara, entende? E, no lugar de não ir com a cara e esquecer, ela fala, fala e fala do tal alvo de sua língua afiada. Por dentro, essa pessoa está sofrendo e criando uma raiva infundada sobre alguém que pode até não ser de grandes admirações, mas com certeza não merece tanta fantasiosidade aumentada pela pessoa que está cultivando esses sentimentos ruins dentro dela, originados por aquilo que chamamos de 'inveja'.

A melhor maneira de deixarmos de invejar alguém é entendermos o por quê de nos sentirmos como nos sentimos... 

Tenho abaixo um bom texto reflexivo:

"O que te molda, o que te define?
É muito bom o exercício de nos conhecermos, da busca por isso.
É fundamental, na verdade, se não queremos viver uma vida de bola de neve ou rolo de novelo, como preferir.

E uma parte engrandecedora desse processo é o exercício de reconhecer (e assumir) nossos defeitos. Temos tantos! Eu tenho muitos. Mas gosto de saber quais são. De vez em quando ainda descubro novos em atitudes novas. 

Ao longo do tempo, vamos mudando e temos que tentar guiar nossas mudanças para melhor. Acontece que fazer isso é difícil pacas! Mesmo conhecendo o que não é tão legal na gente, mesmo percebendo de imediato, temos dificuldades, imagina quem acha que é perfeito? 

Esses viverão sempre entrelaçados em seus novelos, estagnados, rancorosos, culpando outros e buscando defeitos nos outros!

Importemo-nos mais com nossos defeitos a com os dos outros! 

Há tantas pessoas por aí buscando se sentir melhores ao apontarem defeitos nos outros que sequer enxergam um grande defeito nelas mesmas ao fazerem isso: a maldade. 

E a maldade do julgar sem conhecer, do rir de quem invejam, é algo que consome e destrói apenas elas. São elas que viverão incomodadas com o fato do outro existir e não o outro que existe e é feliz!



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"As redes de pescar palavras são feitas de palavras." Otávio Paz.